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Quando a moda veste a mesa

Não é de hoje que o universo da mesa e da moda caminham juntos. As primeiras influências surgiram ainda nos séculos XVIII e XIX, quando houve um refinamento da culinária e a introdução das regras de etiqueta à mesa. Esse movimento teve início na Europa, quando anfitriões franceses passaram a ter o uso de talheres e louças finas como um símbolo da nobreza.
Segundo o designer de joias e consultor de moda Alberto Sabino, a mesa posta foi definida comercialmente a partir de lançamentos específicos de grandes marcas da alta costura, como as francesas Dior e Lacroix e Versace, na Itália.
Nesse período, as maisons estavam deixando de ser exclusividade da indústria têxtil e expandido para outros mercados. Além de artigos para cama, mesa e banho, também foram lançadas linhas de perfumes, acessórios, cosméticos, maquiagens e joias.
Na década de 90, a Versace passou a investir mais no segmento de decoração e casa com a criação da Versace Home. Além dos tecidos para casa, fez importantes parcerias e lançou uma variedade de produtos: cutelaria em prata, vasos de porcelana, taças de cristal luxuosas, móveis, papéis de parede e muitos outros.
Além das estrangeiras como Versace e Missoni, marcas brasileiras também passaram a investir no segmento de moda casa. Em 2003, a Zelo lançou uma linha de toalhas assinadas pelo estilista Alexandre Herchcovitch. Outras marcas como Riachuelo, Daslu, Carmim e Sérgio K seguiram o mesmo caminho, levando conceitos das passarelas para as linhas de home decor.
Planejamento das coleções de mesa posta
Segundo Alberto Sabino, tanto os designers de moda quanto os de mesa posta, possuem vários motivos de inspiração para a criação das coleções. Seja na arte, na decoração ou nos movimentos sociais, culturais e econômicos.
Para ele, é importante que os designers de mesa se atentem as tendências mundiais, até mesmo para imprimir conceitos importantes em seus produtos, como a valorização do ecológico, por exemplo.
Já para a coordenadora de produto da Karsten, Ana Paula Moreira, as coleções são resultado de um trabalho minucioso. Elas não seguem apenas o calendário fashion, mas também novidades que surgem a todo momento. “As mudanças de comportamento aliados a moda e aos reflexos do mercado são os principais pontos a serem estudados”, diz.
“Os padrões de comportamento vem mudando. As pessoas optam por receber mais em suas casas do que sair para outros lugares. As marcas estão entendendo isso e querem reproduzir a sensação de bem-estar aliando o conforto dos lares à sofisticação de produtos de grifes”, diz.

De acordo com a gerente de marketing e produto da Copa&Cia, Paola Mazzafero, a moda influencia as marcas de produtos para mesa e decoração de maneira mais comedida: realces de moda se manifestam mais em toques de cor, nas estampas e aplicações. “As pessoas renovam os produtos para casa com menor frequência do que compram peças de roupa. Além disso, a moda é mais passageira”, explica.
Segundo Paola, a Capa&Cia também segue as tendências mundiais para decor e mesa posta e lança duas coleções por ano. “Priorizamos a escolha de estampas de acordo com a estação em que a coleção estará vigente. Na primavera/verão, exploramos o uso de estampas florais e primaveris e o uso de cores vibrantes nas composições. Já no outono/inverno, aderimos aos tons mais fechados e sóbrios”, completa.

A marca possui coleções assinadas pela “papisa da moda” Costanza Pascolato, uma das mais influentes formadoras de opinião sobre moda e estilo. Constanza, assina coleções de mesa posta em porcelana e almofadas com estampas com temas florais, tropicais, suculentas entre outros.

Tendências Primavera/ Verão 2018
De acordo com Paola Mazzafero, uma das tendências em alta no mundo fashion e na mesa é a sobreposição de estampas, criando composições únicas que valorizam o ‘mix and match’ entre os elementos da mesa. Florais, geométricos e texturas se fundem dando origem a looks originais e criativos. Outra tendência é o uso de peças artesanais e materiais orgânicos, trazendo de volta às raízes e enaltecendo formas da natureza.
Já para designer de moda Alberto Sabino, conceitos de florestas urbana e valorização do verde aliados ao tropical também são tendência. Cores como Millennial Pink, amarelo e tons corais avermelhados (dando força a base dos terrosos). Florais e tropicais continuam em alta. Segundo Sabino, alguns criadores estão apostando em visual de brilho, algumas vezes olograficos em metais oxidados, trabalhados em diversas cores.
Para Ana Paula Moreira, vibração em cores e contrastes de listras e linhas geométricas retratam um ambiente descolado e energizado.
Natureza tropical é retratada em texturas e aspectos rústicos, muito verde e desenhos de folhagens. O clássico vem na onda do náutico, retratando listras discretas em tons de marinho, royal e cru.

Além disso, o jeans passa a compor a mesa posta e as estampas de frutas e cactos continuam em alta dentro do conceito de natureza tropical.